Para Gregory Gause, professor de relações internacionais na Universidade Texas A&M que cunhou o termo para descrever a rivalidade entre a Arábia Saudita e o Irã, as duas potências regionais não têm dado sinais de que buscarão uma confrontação militar direta.
Gause enxerga nas dinâmicas de poder que definem o Oriente Médico contemporâneo elementos do conflito geopolítico que dividiu a região, e o mundo, entre polos antagônicos na segunda metade do século 20.
Assim como Estados Unidos e União Soviética evitavam uma escalada militar que aniquilaria as duas partes, as autoridades de Riad e Teerã não buscam uma guerra direta: em vez disso, competem por hegemonia apoiando facções rivais em países mais fracos da região, como a Síria, o Líbano e o Iêmen.
O que poderia deflagrar um conflito de grande escala seria um ataque dos Estados Unidos contra o Irã, acrescenta o professor, para quem a política americana de “pressão máxima” contra o regime iraniano tem sido um “fracasso”.
“Eu acredito que há espaço para a diplomacia, mas o governo Trump precisará se movimentar para reiniciá-la”, diz Gause por e-mail ao blog Mundialíssimo.
Na conversa, o professor discute as consequências dos ataques de drones contra refinarias de petróleo em Abqaiq e Khuais, na Arábia Saudita, no último dia 14. A Arábia Saudita e os Estados Unidos acusam o Irã de ter orquestrado os ataques; o regime iraniano nega responsabilidade, e diz que eventuais retaliações em seu território conduziriam à “guerra total”.
Leia, abaixo, a entrevista:
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Mundialíssimo – Os ataques na Arábia Saudita geraram temores de uma escalada regional contra o Irã. Quais são os riscos de que a “Nova Guerra Fria” do Oriente Médio poderá evoluir para um confronto direto entre a Arábia Saudita e o Irã?
Gregory Gause – Se confronto direto significar um conflito entre Forças Armadas, eu acredito que não. Os iranianos evitam este tipo de ataque direto, conforme indicam suas negativas reiteradas sobre o ataque em Abqaiq. O Exército saudita não tem obtido sucesso no Iêmen. Eu duvido que eles adotariam uma postura ofensiva contra o Irã.
O confronto militar direto mais provável seria entre os Estados Unidos e o Irã, mas eu acredito que a resposta americana se dará nos bastidores.
O governo Trump tem demonstrado apoio contínuo ao regime saudita. O que explica a relação especial entre Washington e Riad? Quais são os possíveis resultados da estratégia de “pressão máxima” da Casa Branca em relação ao Irã?
As relações próximas entre o governo Trump e o saudita não são uma novidade. A maioria dos presidentes americanos teve estas relações, mesmo com altos e baixos. Talvez não tenham sido tão descarados quanto Trump, mas seu estilo é diferente dos governos passados em todos os aspectos. A oposição do Congresso também não é algo novo, mas é mais intensa que no passado, em parte como resposta ao assassinato do jornalista saudita dissidente Jamal Khashoggi.
A política de “pressão máxima” é o que levou ao ataque de Abqaiq. É realmente um fracasso, não levou ao colapso do regime nem à sua rendição na mesa de negociação. Mas o governo Trump não parece ter uma política alternativa em vista. Sua resposta ao ataque em Abqaiq foi ordenar ainda mais sanções, o que torna outro ataque do Irã mais provável.
A saída dos Estados Unidos do acordo nuclear de 2015 levou o regime iraniano a recomeçar seu programa nuclear. O que a comunidade internacional pode fazer para impedir o Irã de obter armas nucleares? Há espaço para a diplomacia?
Eu acredito que há espaço para a diplomacia, mas o governo Trump precisará se movimentar para reiniciá-la. Havia sinais de que Trump estava aberto a conversar, mas o ataque em Abqaiq fez a iniciativa recuar, se é que era de fato uma possibilidade. Os iranianos demonstraram que negociarão sobre este assunto, mas terão cuidado, tendo em vista a saída americana do acordo nuclear em 2018.
O ataque em Abqaiq foi o ataque mais grave contra a infraestrutura petrolífera desde a Guerra do Golfo de 1990-91. O fato de que os preços não foram tão afetados se deu por causa do atual quadro de excesso de oferta. Mas se o Irã perceber que o ataque teve sucesso, poderá ser atraído a buscar ataques similares. Isso traria bastante instabilidade para o mercado de petróleo mundial e para a região do golfo Pérsico.
]]>As duas monarquias do Golfo Pérsico vinham atuando em conjunto na intervenção militar no Iêmen desde março de 2015. Nas últimas semanas, porém, forças iemenitas apoiadas por Riad e Abu Dabhi passaram a lutar pelo controle da cidade de Áden, deixando dezenas de mortos e feridos.
Os confrontos em Áden opõem as tropas do presidente Abdo Rabbo Mansur Hadi, apoiado pela Arábia Saudita, e as forças Conselho Transitório do Sul (CTS), grupo separatista financiado pelos Emirados Árabes.
As facções vinham lutando lado a lado contra os rebeldes xiitas huthis, que controlam porções do norte do país, mas passaram a guerrear entre si após a morte de Munir “Abu al-Yamama” al-Yafei, comandante do CTS, em um bombardeio em 1º de agosto.
Após semanas de violência, as forças de Hadi anunciaram ter assumido o controle de Áden na quarta-feira (28). O CTS prometeu “vingança” e, nesta quinta (29), um ataque aéreo atribuído aos Emirados Árabes matou pelo menos 30 soldados do regime iemenita, de acordo com as forças de Hadi; as autoridades de Abu Dhabi não se pronunciaram sobre o incidente.
“Nós consideramos os Emirados Árabes inteiramente responsáveis por estes assassinatos extrajudiciais explícitos”, disse em uma rede social o vice-chanceler do governo de Hadi, Mohammad al-Hadrami.
Áden é uma importante cidade portuária no sul do Iêmen, que se tornou capital provisória após o presidente Hadi ser expulso da capital, Sanaa, em meio a uma ofensiva militar dos rebeldes huthis em setembro de 2014.
O avanço dos huthis levou a Arábia Saudita a iniciar uma intervenção militar no Iêmen em março de 2016 junto a outros países da região, inclusive os Emirados Árabes. A Arábia Saudita acusa os huthis de representar os interesses do Irã, seu arqui-inimigo na disputa por hegemonia no Oriente Médio.
SEPARATISMO
Áden é um bastião do movimento separatista encabeçado pelo CTS. A cidade era capital do Iêmen do Sul, país independente governado por um regime socialista que deixou de existir após a reunificação com o Iêmen do Norte em 1990.
As tensões separatistas não foram resolvidas com a reunificação, mas vinham sido abafadas em meio à guerra civil. A escalada da violência em Áden mostra que o problema segue latente, arriscando criar “uma guerra civil dentro da guerra civil no Iêmen”, nas palavras do think-thank americano International Crisis Group.
Ao apoiar forças separatistas no sul do Iêmen, os Emirados Árabes demonstram buscar uma política externa com um maior grau de independência em relação à Arábia Saudita. A escalada dos enfrentamentos em Áden deu origem a especulações sobre uma eventual expulsão dos Emirados Árabes da coalizão internacional que atua no Iêmen.
Enquanto as potências da região se engalfinham pelo controle do Iêmen, a população segue sofrendo. Dezenas de milhares de pessoas morreram desde o início da guerra civil e, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 24 milhões de pessoas –cerca de 80% da população do Iêmen– dependem de ajuda humanitária para sobreviver; dentre estas, quase 10 milhões estão à beira da fome.
“À comunidade humanitária internacional: é hora de fazer mais e dizer mais”, disse em nota a ONG Médicos Sem Fronteiras, que oferece atendimento humanitário no Iêmen. “A história vai julgar todos nós, e os iemenitas já o estão fazendo”.
]]>As ativistas foram presas em maio do ano passado, semanas antes de o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman anunciar medidas inéditas autorizando que mulheres dirigissem no país. Elas vinham fazendo campanha há anos pela igualdade de gênero, defendendo inclusive o direito das mulheres se sentarem atrás do volante.
Uma das ativistas julgadas é Loujain al-Hathloul, que já havia sido detida em ocasiões anteriores por publicar vídeos em que dirige um carro. “Depois de dez meses na prisão, … Loujain pode finalmente saber quais são as acusações contra ela, mas até agora ninguém sabe quais são as acusações”, disse em rede social Walid al-Hathloul, irmão da ativista.
As autoridades judiciais ainda não revelaram quais são as acusações contra as ativistas, e há o temor de que elas venham a ser julgadas com base em leis antiterrorismo, que estipulam pena de até vinte anos de prisão.
Veículos de imprensa alinhados à monarquia saudita atacaram as mulheres detidas, taxando-as de “traidoras” e “agentes de embaixadas” estrangeiras.
A ONG Anistia Internacional disse ter encontrado evidências de que as ativistas sofreram torturas e assédio sexual na prisão.
Na semana passada, mais de trinta países integrantes do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) emitiram um comunicado conjunto exigindo a libertação das ativistas sauditas.
“Pedimos que a Arábia Saudita adote medidas significativas parara garantir que todos os membros do público, incluindo defensores de direitos humanos e jornalistas, possam exercer livre e integralmente seus direitos”, diz o comunicado.
HISTÓRICO DE VIOLAÇÕES
Desde que foi alçado à posição de príncipe herdeiro em 2017, Bin Salman tem promovido reformas modernizantes na tentativa de melhorar a imagem internacional do país. Além de permitir que mulheres dirigissem, o herdeiro do trono saudita autorizou a abertura de cinemas e aumentou os investimentos em fontes de energia renováveis.
A faceta modernizante que Bin Salman apresenta para o mundo contrasta com o tratamento dispensado a opositores e membros de minorias dentro do país. O julgamento das mulheres ativistas recém-iniciado é mais uma mancha do histórico de direitos humanos da Arábia Saudita.
Não é de hoje que o país prende e tortura dissidentes. Por exemplo, o blogueiro Raif Badawi está preso desde 2012 sob a acusação de “insultar o islã” –crime pelo qual foi condenado a dez anos de prisão e mil chibatadas.
Em outubro, o jornalista saudita Jamal Khashoggi foi assassinado no consulado de seu país em Istambul, em um crime que causou indignação global e aumentou a pressão contra a Arábia Saudita.
Ademais, o reino de Riad é responsável pela morte de milhares de civis em sua intervenção na guerra civil no Iêmen.
Governado desde 1932 pela dinastia dos Saud, a Arábia Saudita é um dos países mais fechados do mundo. O regime saudita se mantém no poder graças às receitas da exportação de petróleo e ao apoio internacional oferecido pelos Estados Unidos e outras potências ocidentais.
]]>A suspeita de que Khashoggi tenha sido assassinado em Istambul na semana passada a mando do regime saudita gerou indignação nos Estados Unidos, aumentando pressão sobre o presidente Donald Trump para que reveja seus laços com Riad.
Entenda o caso por meio de perguntas e respostas:
Khashoggi, 59, é um renomado jornalista saudita e colunista do “Washington Post”. Antigo aliado da família real, ele fugiu do país no ano passado e passou a criticar os rumos do país. Em suas colunas, o jornalista acusava Mohammed bin Salman, o poderoso príncipe herdeiro saudita, de intensificar a repressão a dissidentes e de provocar instabilidade em outros países do Oriente Médio.
Khashoggi está desaparecido desde 2 de outubro, quando visitou o consulado saudita em Istambul para regularizar documentos. Imagens de câmeras de segurança mostram o jornalista entrando no prédio, mas não saindo dali. Autoridades turcas suspeitam que o jornalista tenha sido assassinado por 15 agentes sauditas infiltrados no país.
Fontes ligadas à investigação dizem ter evidências de que Khashoggi foi torturado e morto no consulado, tendo seu corpo desmembrado e posteriormente transportado para a residência do cônsul saudita em Istambul. Os detalhes do crime parecem apontar para o envolvimento direto de autoridades sauditas no episódio.
2. O que diz a Arábia Saudita?
A Arábia Saudita nega envolvimento e diz que Khashoggi deixou o consulado pouco após a visita. O consulado saudita em Istambul afirmou em nota que as acusações “não têm fundamento” e questionou a credibilidade das informações vazadas à imprensa por autoridades turcas.
O desaparecimento do jornalista ameaça os planos de Mohammed bin Salman para melhorar a imagem da Arábia Saudita. Desde que assumiu a sucessão do trono saudita, em junho de 2017, o príncipe vem conduzindo uma série de reformas modernizantes –dentre outras iniciativas, destacam-se a permissão para que mulheres dirijam e a prisão de integrantes da família real acusados de corrupção.
Ademais, Mohammed bin Salman é responsável por um giro na política externa da Arábia Saudita com a bênção dos Estados Unidos. Além de alimentar guerras civis na Síria e no Iêmen, o país se aproximou de Israel, isolou seu antigo aliado Qatar e elevou o tom contra o Irã na disputa por hegemonia regional.
Imagem obtida de câmeras de segurança mostra o Jamal Khashoggi entrando no consulado saudita em Istambul antes de desaparecer (Crédito: CCTV/Hurriyet/Associated Press)
3. Qual foi a reação dos Estados Unidos?
O sumiço de Khashoggi provocou indignação nos Estados Unidos, gerando pressão de congressistas republicanos sobre o governo de Donald Trump. O embaixador saudita em Washington retornou ao seu país sem prestar esclarecimentos. “Se for o que todos achamos que é, mas não temos certeza, terá de haver sanções significativas contra as mais altas esferas”, afirmou o senador republicano Bob Cooker, presidente do comitê de relações exteriores do Senado.
Trump mantém relações calorosas com o reino saudita, tendo escolhido Riad como destino de sua primeira viagem ao exterior, na qual fechou um acordo de US$ 110 bilhões (cerca de R$ 410 bilhões) para a venda de armas. O presidente disse “não gostar da situação”, mas descartou a revisão do acordo militar como forma de retaliar a Arábia Saudita. Ele também afirmou ter enviado agentes à Turquia para ajudar na investigação sobre o caso, mas não está claro se as autoridades turcas aceitarão a participação dos americanos.
Após o desaparecimento de Khashoggi, o Washington Post prometeu trabalhar “sem descanso” para esclarecer o episódio e elevou o tom de suas críticas à Arábia Saudita. Em solidariedade, veículos de imprensa como Financial Times, CNN e CNBC decidiram boicotar uma conferência global de investidores em Riad marcada para o fim do mês. O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, também cancelou sua presença no encontro.
4. Como este episódio afeta o Oriente Médio?
É improvável que o sumiço de Khashoggi leve o governo Trump a reorientar drasticamente sua relação com a Arábia Saudita, pois o país exerce um papel central na estratégia dos Estados Unidos para o Oriente Médio. Ainda assim, o caso pode levar outros países do Ocidente a aplicarem sanções contra a Arábia Saudita. Países da Europa e o Canadá, por exemplo, já são mais críticos do que os americanos ao regime de Riad, mesmo que ainda tratem o país como aliado.
É difícil para o Ocidente justificar a inação diante deste caso, pois a comunidade internacional costuma responder de maneira dura a países que tentam assassinar dissidentes no exílio. Por exemplo, o envenenamento do ex-militar russo Sergei Skripal na Inglaterra, em março, levou dezenas de países a expulsarem diplomatas russos, ainda que o Kremlin negue envolvimento no episódio. Da mesma forma, os Estados Unidos impuseram sanções contra a Coreia do Norte depois que um meio-irmão do ditador Kim Jong-Un foi assassinado com uma substância tóxica na Malásia, em fevereiro de 2017.
Caso se comprove que Khashoggi foi assassinado, a Arábia Saudita pode virar alvo de sanções de países que, até então, vinham aplaudindo as reformas de Mohammed bin Salman e relevando as violações de direitos humanos perpetradas pelo reino saudita no próprio país e na vizinhança. O fato é que o episódio joga um balde de água fria nos esforços da Arábia Saudita para melhorar sua imagem no exterior. A comoção que o episódio causou nos Estados Unidos é uma evidência de que a sociedade civil não tolera mais que seu governo se associe a países autoritários sem restrições. Um eventual isolamento da Arábia Saudita reduziria sua capacidade de interferir nos assuntos internos de outros países do Oriente Médio, alterando o equilíbrio de forças na região.
]]>O isolamento geográfico do Qatar se somaria ao embargo econômico e político imposto pelo reino saudita contra seu vizinho.
Em junho de 2017, a Arábia Saudita –seguida por seus parceiros Egito, Bahrein e Emirados Árabes– rompeu relações diplomáticas e econômicas com o Qatar, acusando-o de apoiar o terrorismo e aliar-se ao inimigo Irã. Doha nega as acusações.
O projeto de construção do canal foi anunciado pela primeira vez em abril no site Sabq, associado à família real saudita. Na semana passada, a iniciativa pareceu ganhar fôlego após um conselheiro de Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro do reino, comentar o plano.
“Aguardo impacientemente pelos detalhes da implementação do projeto da ilha de Salwa, um projeto grandioso e histórico que irá mudar a geografia da região”, disse Saud al-Qahtani no Twitter.
O canal, orçado em US$ 750 milhões (cerca de R$ 3,1 bilhões), teria 200 metros de largura e 60 quilômetros de extensão. Além de isolar o Qatar, o canal seria usado para o turismo, e parte da obra abrigaria um depósito de lixo nuclear.
O projeto ainda não foi anunciado oficialmente e não há previsão para o início das obras.
REBELDIA
O isolamento imposto ao Qatar é uma reação da Arábia Saudita ao que vê como atos de rebeldia do país vizinho.
As duas monarquias do Golfo sempre foram próximas, mas nas últimas décadas o Qatar tem buscado independência política, usando sua riqueza derivada de reservas de gás natural para exercer seu poder.
O Qatar, que não é uma potência militar, projeta sua influência no Oriente Médio por meio de sua emissora Al Jazeera e do apoio a grupos políticos como a Irmandade Muçulmana, rival da Arábia Saudita.
O Qatar também usa o esporte para afirmar sua influência: além de possuir grandes times de futebol europeus, como o PSG de Neymar, o país sediará a Copa do Mundo de 2022.
]]>Os 11 príncipes detidos no expurgo articulado pelo príncipe herdeiro Muhammad bin Salman estão alojados no Ritz-Carlton de Riad. Está entre os detentos o príncipe Alwaleed bin Talal, um dos homens sauditas mais ricos. O Intercept divulgou via Twitter imagens da tal prisão de luxo:
These photos confirm our original report, that the Ritz-Carlton Riyadh has indeed become a prison after MBS’s purge https://t.co/VpceqWfk6t pic.twitter.com/merF5WRL0I
— Ryan Grim (@ryangrim) 6 de novembro de 2017
A prisão de príncipes e representantes da elite econômica deixou o país e seus vizinhos arrepiados. Eles são acusados de corrupção e, com sua detenção, a monarquia saudita parece dar um aviso: nem mesmo os poderosos estão acima da lei. A mensagem é especialmente potente porque indica que tipo de país Muhammad bin Salman quer construir quando herdar o trono de seu pai, Salman, hoje com 81 anos. Por outro lado, segundo uma reportagem do jornal “Guardian”, o luxo da prisão mostra que, “mesmo quando acusados de um crime grave, os poderosos mantêm seus privilégios”.
O “Guardian” tem também uma detalhada descrição de como os hóspedes do Ritz-Carlton foram acordados às 23h locais no sábado e levados ao lobby, de onde foram transferidos a outros hotéis sem receber explicações. Chegaram a partir da meia-noite os novos inquilinos: príncipes e empresários que, até a véspera, eram dos mais poderosos e até então vistos como intocáveis.
Como expliquei em uma análise publicada pela Folha nesta terça-feira (7), o poder costuma ser pulverizado entre os diversos ramos da família Al Saud. As forças de segurança, por exemplo, são divididas entre esses braços. Caso os príncipes tivessem sido levados à prisão, Muhammad bin Salman poderia ter rompido os laços que permitem a manutenção da monarquia desde a criação da Arábia Saudita em 1932. Não é uma decisão impossível de ser tomada — mas é improvável.
O luxuoso Ritz-Carlton de Riad, que até recentemente tinha quartos disponíveis por cerca de US$ 350 (R$ 1.140), parece estar temporariamente fechado. O site oficial tinha na terça-feira um aviso de que “por razões imprevisíveis, a internet e as linhas de telefone estão desconectadas”.
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