Um guia para classificar os tuítes do presidente americano, Donald Trump, em apenas 4 categorias

Por Diogo Bercito

A esta altura você, Mundialíssimo leitor, já deve ter se inteirado da recente discussão entre o presidente americano, Donald Trump, e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un — culminando na frase “o meu é maior do que o seu”, publicada pelo republicano na rede social Twitter. Aqui:

Esse não foi, é claro, o primeiro nem o último arroubo tuiteiro do presidente americano. O Twitter tem sido uma janela fundamental para acompanhar a política de seu governo, inaugurado há um ano, ao ponto em que o pesquisador George Lakoff desenvolveu sua própria taxonomia para classificar esses tuítes. As mensagens de Trump, argumenta Lakoff, em geral se encaixam em quatro categorias. Lakoff é professor-emérito da Universidade da Califórnia, em Berkeley.

O professor explica a teoria em sua conta no Twitter, em inglês. Aos leitores que preferem o português, este Mundialíssimo blog publica abaixo a tradução das quatro categorias:

1. ENQUADRAMENTO ANTECIPADO
É o nome que o professor dá à tática de Trump de apresentar uma ideia nova para seus seguidores. Por exemplo, o presidente americano escreveu em 7 de janeiro que o Partido Democrata havia perdido por uma grande margem, quando o oposto é verdadeiro. Sua versão, no entanto, vingou.

2. DISTRAÇÃO
Em vez de dar atenção às crises reais atingindo seu governo, Trump abre novos debates com declarações polêmicas. Foi o que fez, segundo Lakoff, quando disse em 9 de janeiro que a premiada atriz norte-americana Meryl Streep é superestimada, depois de ela ter criticado seu governo.

3. DEFLEXÃO
Quando um jornal publica uma história negativa, o presidente americano reage desclassificando toda a imprensa com seu jargão “fake news”. Em 11 de janeiro ele sugeriu que a situação é tão ruim quanto o nazismo. A ideia de que a mídia veicula notícias falsas é adotada por seus eleitores.

4. BALÃO DE TESTE
Com mensagens polêmicas, Trump testa a reação do público. Por exemplo, em 22 de dezembro de 2016, ele sugeriu incrementar os arsenais nucleares, algo duramente criticado por outros governos.

Se vocês discordarem do modelo de Lakoff, já há alternativas circulando — no próprio Twitter. Em uma delas, de Mike Ginn, as quatro categorias são: “louco”, “estúpido”, “inseguro” e “muito café”.