O que ler para entender a crise em Jerusalém?

Por Diogo Bercito

Donald Trump anunciou na quarta-feira (6) seu reconhecimento de Jerusalém como capital israelense, e o assunto invadiu as redes sociais rápida como a praga bíblica dos gafanhotos. Este Mundialíssimo blog supõe que, a estas alturas, vocês já tenham se dado conta da gravidade dessa notícia — já há inclusive chamados para uma onda de violência nos territórios palestinos.

A disputa entre Israel e Palestina costuma atrair um interesse amplo em todo o mundo, mas por vezes a nuvem de opiniões vem carregada de desinformações e de preconceitos, prejudicando um debate já bastante fragilizado. Como vocês, mundialíssimos leitores, não querem agravar a situação, provavelmente estão interessados em ler um pouco mais sobre a disputa por Jerusalém.

Por onde começar? Quem tem fôlego para ler calhamaços pode começar por duas das melhores histórias da cidade:  “Jerusalém: A Biografia” e “Jerusalém: Uma Cidade, Três Religiões”. Mas, no meio-tempo, e aos afobadinhos, compilei abaixo uma lista de reportagens sobre essa notícia.

Donald Trump anuncia reconhecimento de Jerusalém. Crédito Kevin Lamarque/Reuters

DEZ PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O IMPASSE EM JERUSALÉM
Se estiver realmente despistado, comece por este resumão produzido pela Folha sobre a disputa em torno da cidade, sagrada tanto a judeus quanto a muçulmanos, e sobre quais são os impactos imediatos da decisão de Donald Trump. De quem é Jerusalém? Quais são as reivindicações? Quando os EUA vão transferir sua embaixada? Qual é o papel americano nas negociações de paz?

PROBLEMÁTICA, DECISÃO NÃO TEM EFEITOS PRÁTICOS
O colunista Clóvis Rossi escreveu sobre o anúncio de Donald Trump, afirmando que “o simbolismo se esgota em si mesmo porque efeitos práticos propriamente ditos não haverá, ao menos não imediatamente”. “É provável que haja, sim, uma sequência de manifestações, talvez violentas em todo o mundo muçulmano, mas tendem a não durara muito”. Escrevi também sobre isso.

ISRAEL RECEBE ANÚNCIO COM EUFORIA E MEDO
A repórter Daniela Kresch, em colaboração para a Folha, em Tel Aviv, registrou em uma reportagem as reações israelenses ao reconhecimento de Jerusalém como sua capital. “Ninguém esconde o temor de que a decisão leve a uma escalada na violência regional”, escreveu. Políticos e analistas se dividiram entre o entusiasmo da direita e o nervosismo do centro e da esquerda.”

LIDERANÇAS EVANGÉLICAS QUEREM QUE BRASIL SIGA OS EUA
A BBC Brasil publicou uma reportagem de Mariana Schreiber analisando como líderes religiosos querem que o Brasil emule a decisão americana, transferindo também a embaixada a Jerusalém. “Eles acreditam que a decisão do presidente americano lhes dá mais força para pressionar o governo brasileiro a reconhecer Jerusalém como capital israelense”, segundo o texto de Schreiber.

COMO JERUSALÉM FOI DE TER 16 EMBAIXADAS A NENHUMA
O jornal israelense “Haaretz”, bastante crítico à medida americana, publicou um texto direcionado a Trump, pedindo que tome nota de como Jerusalém já teve 16 embaixadas — e por que hoje não tem nenhuma. Países como Costa do Marfim, Quênia, Chile, Bolívia, Venezuela e Holanda já tiveram embaixadas na cidade, mas abandonaram os escritórios após uma série de guerras.

O PROCESSO DE PAZ PODE SOBREVIVER À DECISÃO DE TRUMP?
O diário britânico “Guardian” tenta responder a essa pergunta, em uma reportagem que mapeia os passos que levaram ao reconhecimento de Jerusalém como capital israelense. “Uma coisa está bastante clara. Na quarta-feira, a história, os alertas dos especialistas, o conhecimento diplomático e a experiência foram rasgados, juntamente com qualquer chance imediata de um acordo.”

CAUSA DE JERUSALÉM PODE TER PERDIDO FORÇA ENTRE ÁRABES
O “New York Times” faz uma importante reflexão ao dizer que, se Jerusalém foi outrora a grande causa comum entre países árabes, hoje já perdeu esse apelo. “Líderes árabes continuam a elogiar a causa palestina, mas ela perdeu importância, deslocada pela insurgência da Primavera Árabe, pelas guerras no Iraque, na Síria e no Iêmen e pela ameaça do Estado Islâmico”, segundo o jornal.