O que ler sobre a crise na Coreia do Norte?

Por Diogo Bercito

Kate Middleton e o príncipe William anunciaram que esperam seu terceiro filho, mas vocês provavelmente não têm tanto tempo para ler essa notícia. As atenções estão de repente fixadas em outro lugar: na Coreia do Norte, que realizou seu sexto teste com uma bomba nuclear, escalando as tensões com os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão. A embaixadora americana nas Nações Unidas disse na segunda-feira (4) que a Coreia do Norte está “implorando por guerra”.

Em vez de delicados enxovais e de celebrações palacianas, vocês agora querem ler sobre as minúcias de como funciona um míssil balístico e de como se desenrolaria um eventual conflito nuclear entre o presidente americano, Donald Trump, e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un. Para que não recorram apenas ao que leram no Twitter, este Mundialíssimo blog compila abaixo seis sugestões de leitura sobre a crise. E aconselha: continuem a seguir a cobertura da Folha.

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1. ÓDIO NORTE-COREANO PELOS EUA TEM COMPONENTE HISTÓRICO
A BBC compilou um relato histórico que explica, em parte, o ódio do regime norte-coreano em relação aos EUA. O ex-secretário de Estado americano Dean Rusk explicou que, na Guerra da Coreia (1950-1953), as ordens aos aviões era “bombardeiem tudo o que se move”. Foram três anos de ataques indiscriminados, arrasando cidades e aldeias e deixando dezenas de milhares mortos.

2. REGIME NORTE-COREANO QUER FORÇAR CHINA A NEGOCIAR COM OS EUA

O repórter Raul Juste Lores, ex-correspondente em Pequim, analisa o calendário do teste nuclear — as ações de Kim Jong-un coincidem com datas sensíveis para a diplomacia chinesa, diz. “Ele quer forçar os chineses a serem mais pró-ativos com os americanos, nem que seja à base de constrangimento.” Em maio, no último teste nuclear, a China anunciava sua “nova Rota da Seda”.

3. OS EUA TÊM TRÊS OPÇÕES DE REAÇÃO
Donald Trump pode recorrer a três saídas, segundo a rede britânica BBC. Ele pode 1) ampliar as ações que já estão em curso, deslocando mais forças à Coreia do Sul, além do sistema antimíssil Thaad; 2) dar ordens a ataques cirúrgicos, com rajadas de mísseis de precisão Tomahawk; 3) determinar uma invasão militar completa, uma opção hoje extremamente improvável.

4. AÇÃO MILITAR LEVARIA A UM ATAQUE CONTRA A COREIA DO SUL
Igor Gielow acredita que a opção militar americana levaria a um “beco sem saída”. Se for atacado, Kim pode revidar na Coreia do Sul. O ditador norte-coreano tem 21 mil peças de artilharia, boa parte dela apontada em direção a Seul, a 55 quilômetros da fronteira. Algumas delas podem atingir a capital, onde moram 10 milhões de pessoas. Essa possibilidade deve diminuir o ímpeto bélico.

5. COREIA DO NORTE PODE RECORRER TAMBÉM A CIBERATAQUES
Guilherme Magalhães recentemente entrevistou em Seul o desertor norte-coreano Kim Heung-kwang, que lhe disse: “Os ciberataques são tão ameaçadores quanto os mísseis nucleares”. Ele cita, por exemplo, o crescimento do aparato de segurança cibernética do regime. O efetivo da célula de ciberataques norte-coreana cresceu de 500 integrantes para 6.000 desde sua criação em 1998.

6. BRASIL CONDENA OS TESTES NUCLEARES
A cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) condenou veementemente os recentes testes realizados pela Coreia do Norte, informa Gustavo Uribe. Os cinco países expressaram “profunda preocupação” com o aumento das tensões. Na China, Michel Temer disse que os testes nucleares “dão concretude a temores que parecem ter ficado nos livros de história”.