O que ler para entender a crise na Venezuela?

Por Diogo Bercito

Venezuelanos votaram no domingo (30) na controversa eleição de sua Assembleia Constituinte. O pleito foi marcado pelo baixo comparecimento às urnas e pela repressão do governo, afastando ainda mais o país — em crise nos últimos anos — do restante do mundo. Sylvia Colombo, correspondente da Folha em Buenos Aires, está em Caracas para contar essa história.

A Venezuela é um daqueles países, como Cuba e Israel, em que muita gente tem opinião (“tal partido vai transformar o Brasil na Venezuela!”). Mas os palpites nem sempre vêm embasados em fatos, e você não quer ser a pessoa que diz uma bobagem na mesa de jantar durante esta semana. O Mundialíssimo blog preparou algumas sugestões de leitura, tanto da Folha quanto de veículos estrangeiros, para garantir que você tenha uma ideia mais ampla do assunto. Veja só:

ASSEMBLEIA VAI ELABORAR NOVA CONSTITUIÇÃO
Vamos começar pelo básico. A BBC Brasil, em texto publicado na Folha, explica a Assembleia Constituinte em cinco tópicos. O essencial a entender é que o órgão eleito no domingo vai elaborar uma nova Constituição para a Venezuela, coincidindo com anos de instabilidade política e econômica. A Carta em vigor é de 1999 e serviu de base ao governo de Hugo Chávez, no poder até 2013.

DUAS ENTREVISTAS, DOIS PONTOS DE VISTA
A Folha conversou com duas figuras da política local, com perspectivas distintas. É importante ler ambas, e não apenas aquela que se encaixa melhor à nossa convicção. A primeira é a com o chavista Jorge Rodríguez, prefeito de Caracas. A segunda é com Henrique Capriles, líder opositor.

ELEIÇÕES FORAM MARCADAS POR VIOLÊNCIA
Sylvia Colombo relata de Caracas que a jornada eleitoral do final de semana teve ao menos 10 mortos, segundo o governo. A oposição fala em 14 vítimas. Entre as mortes confirmadas estão a de agentes da Guarda Nacional Bolivariana, manifestantes e membros de siglas oposicionistas. No sábado, José Félix Piñeda, candidato à Constituinte, foi assassinado no Estado de Bolívar.

BRASIL E ESTADOS UNIDOS REPUDIARAM O PLEITO
Os governos do Brasil e dos Estados Unidos repudiaram a eleição da Assembleia Constituinte. O Itamaraty informou em uma nota, por exemplo, que o voto agrava “ainda mais o impasse institucional que paralisa a Venezuela”. A União Europeia também condenou o pleito, segundo o jornal britânico “Guardian”. Diversos países–incluindo Reino Unido, Argentina, Canadá, México e Espanha– afirmaram que não vão reconhecer o resultado, aprofundando o isolamento.

VOTO MOSTRA “FEIA CARA” DA DITADURA VENEZUELANA
Os duros termos são de Clóvis Rossi, colunista da Folha, em uma análise sobre as eleições. Mas há dois indícios de que talvez haja uma fresta capaz de permitir alguma negociação. A primeira é a sugestão feita pelo governo uruguaio de que a Assembleia Constituinte não seja instalada imediatamente, dando tempo para negociações incluindo o Mercosul. O outro indício é a aparente disposição venezuelana para discutir o tema com o bloco sul-americano nas próximas semanas.

VENEZUELA DÁ EXEMPLO DE “PÊNDULO DE RUSSELL”
O jornal espanhol “El País” publicou uma interessante análise relacionando a política venezuelana às teorias do filósofo britânico Bertrand Russell (1872 – 1970). Caracas é um exemplo das teorias de Russell, escreve Andrea Rizzi, porque mostra suas dinâmicas pendulares: o autoritarismo gera rebelião, e o caos leva a mais rigidez. É uma situação parecida à do Egito. “A comunidade internacional não deveria economizar esforços para evitar que a deflagração seja completa.”