Esses dois políticos fizeram comentários polêmicos sobre judeus e o Holocausto em uma semana

Por Diogo Bercito

O secretário de imprensa da Casa Branca, Sean Spicer, deixou o mundo pasmo na terça-feira (11) ao dizer que nem mesmo alguém deplorável como Adolf Hitler havia usado armas químicas durante um conflito — quando, na verdade, as câmaras de gás do regime nazista mataram milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Ele tentou corrigir o comentário, imediatamente mal recebido, ao dizer que ao menos Hitler não estava utilizando o gás como uma arma contra seu próprio povo. O que obviamente também não é verdade, a não ser que você pense que os judeus não eram parte da população alemã. Não bastasse o desconforto já causado, ele disse ainda que judeus eram enviados a “centros de Holocausto”, referindo-se aos campos de concentração.

A menção aos “centros de Holocausto” foi transformada, durante o dia, em chacota. Uma imagem divulgada no Twitter incluía essa descrição no infame letreiro de um campo de concentração.

Spicer tentava enfatizar o quão sérias são as acusações americanas contra o regime sírio, que teria atacado civis com armas químicas na semana passada. Mas a comparação entre Hitler e o sírio Bashar al-Assad, de tão estapafúrdia, levou a graves críticas durante a semana. O Museu do Memorial do Holocausto dos EUA publicou no Twitter um vídeo com as imagens da libertação de um campo de concentração na Alemanha em abril de 1945. O diretor-executivo do Centro Anne Frank para o Respeito Mútuo, Steven Goldstein, pediu a demissão do porta-voz da Casa Branca por ter negado o Holocausto, “uma das formas mais ofensivas imagináveis de ‘fake news'”.

Esse episódio já seria preocupante o suficiente se não tivesse sido somado a outro comentário político sobre o Holocausto. Marine Le Pen, que concorre à Presidência da França, negou no domingo (9) que a França tem responsabilidade pela concentração de mais de 13 mil judeus em Paris para serem enviados a campos. “Acho que, de maneira geral, se alguém tem responsabilidade, são aqueles que estavam no poder durante aquele período, e não a França”, disse a líder do partido de extrema direita Frente Nacional. O presidente socialista francês, François Hollande, já admitiu a participação do país nesse crime, assim como o ex-presidente Jacques Chirac. Emmanuel Macron, rival de Le Pen nestas eleições, disse que os comentários dela foram “um sério erro”.

Segundo uma reportagem publicada recentemente pelo jornal americano “Washington Post”, “mais de sete décadas depois de sua morte, parece impossível escapar do fantasma de Adolf Hitler”. O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, tem criticado as “práticas nazistas” dos governos europeus que impediram comícios de seus ministros, por exemplo, e um membro do Partido Trabalhista britânico foi recentemente suspenso por dizer que Hitler apoiava o sionismo.