Quem não venceu o prêmio Nobel da Paz?

Por Diogo Bercito

Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, venceu nesta sexta-feira (7) o prêmio Nobel da Paz por seus esforços de negociação com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). O anúncio, feito em Oslo, surpreendeu. Afinal, seu acordo de paz foi rejeitado no domingo (2) em um referendo.

Mas, deixando de lado as comemorações em Bogotá e as análises políticas sobre os efeitos benéficos do prêmio, os mais negativos entre nós perguntam agora: e quem foi que NÃO ganhou o Nobel? A vitória de Santos significou, afinal, a derrota de 375 outros candidatos. O Mundialíssimo blog premia, abaixo, quatro deles com um troféu imaginário e sem valor real.

1. CAPACETES BRANCOS SÍRIOS
As redes sociais estavam tomadas nos últimos dias por simpatizantes da Defesa Civil Síria, mais conhecidos como Capacetes Brancos. Esses voluntários receberam, ademais, o apoio de personalidades e de grandes veículos de imprensa. E é fácil de entender as razões — esses 3.000 ativistas resgatam vítimas dos bombardeios na Síria, em um conflito que já deixou quase 500 mil mortos desde março de 2011. Vejam abaixo um trailer do documentário exibido pelo Netflix sobre eles.

2. ILHAS GREGAS
Segundo a revista “Time”, um grupo de moradores de ilhas gregas foi nomeado como representante de todos os cidadãos desse país que ajudaram os refugiados. A ilha de Lesbos, por exemplo, recebeu aproximadamente 800 mil migrantes fugindo de conflitos e da pobreza extrema. Essa é uma das crises mais importantes da década, e tem tido um impacto considerável na União Europeia — opondo líderes contra e a favor da abertura do bloco econômico. Um dos representantes nomeados é Elena Kamvisi, 86, que foi retratada alimentando um bebê sírio.

3. ACORDO NUCLEAR IRANIANO
Outro dos grandes temas da década, o acordo nuclear iraniano era uma das apostas do jornal britânico “Telegraph”. As negociações afastaram o Irã de uma bomba nuclear — algo que, de toda maneira, o governo negava buscar — e possibilitaram o fim gradual das sanções que vinham debilitando a economia local desde 2006. O prêmio poderia ter sido entregue a John Kerry, chefe da diplomacia americana, e a Javad Zarif, sua contraparte iraniana. Federica Mogherini, chefa da política externa europeia, também poderia ter sido incluída na festa.

4. PAPA FRANCISCO
Seria a primeira vez do Vaticano, mas o papa Francisco era cotado para o prêmio desta sexta-feira. O jornal britânico “Guardian” incluiu ele em sua lista. O pontífice tem encantado o público com diversos de seus gestos a respeito de refugiados, pobreza e mudança climática. Ele pediu que políticos recebessem bem os migrantes e ofereceu santuário a 12 refugiados no Vaticano. Ele também descreveu a destruição do planeta como um pecado. Ademais, o papa pediu que as nações mais ricas pagassem sua “grave dívida social” com os pobres.