3 trajes de banho que incomodariam os franceses mais do que o burquíni

Por Diogo Bercito

Na praia, franceses têm dito “ah la la” diante das mulheres muçulmanas que se cobrem para entrar na água. O chamado “burquíni”, traje de banho que deixa só rosto e mãos à mostra, foi proibido em diversos municípios costeiros, incluindo Cannes e Nice. A medida, defendida pelo premiê francês Manuel Valls, tem sido criticada nas últimas semanas.

O “burquíni” mistura no nome o biquíni com a burca, veste muçulmana que cobre corpo e rosto. Líderes franceses afirmam que o traje não está de acordo com os valores da República e que representa a opressão da mulher. Mulheres muçulmanas, por sua vez, se dizem perseguidas por sua cultura. O autor deste Orientalíssimo blog conversou recentemente com Aheda Zanetti, criadora da peça. “Eles não vão conseguir nos impedir de nos vestir ou de nos desvestir”, disse. “Nós, mulheres muçulmanas, vamos fazer o que quisermos.”

Nesse contexto, o jornal americano “Washington Post” fez um provocante levantamento — que outras vestimentas incomodariam os franceses, na praia? “Enquanto a controvérsia sobre o veto francês ao burquíni segue, muitas pessoas em outras partes do mundo podem ser perdoadas por perguntar: qual é o problema de se cobrir?”

Três exemplos:

JAPÃO

Mulheres cobrem todo o corpo no Japão com material resistente aos raios solares para proteger sua pele. Segundo o diário americano, elas se banham ao lado de mulheres de biquíni, e ninguém se importa. A prática também é corrente na Coreia do Sul.

CHINA

Preocupadas em manter a pele branca, em um país que não valoriza o bronzeado, algumas mulheres chinesas cobrem o rosto com o que foi apelidado pela mídia americana de “facekini” — mistura de “rosto” com “biquíni”, em inglês. Elas não são muçulmanas, diz o tuíte abaixo, elas só não gostam de bronzear-se. A prenda foi inventada em 2014, em Qingdao.

AUSTRÁLIA

Terra da criadora do burquíni, a Austrália tem tradição de cobrir-se na praia. Há preocupação quanto aos raios ultra-violeta, pois o buraco na camada de ozônio é especialmente danoso ali. O “Washington Post” diz que, na Austrália, duas a cada três pessoas serão diagnosticadas com câncer de pele aos 70 anos — um cenário que pode ser combatido protegendo-se do sol. Australianos também se preocupam com águas-vivas.