Dois anos depois, onde estão as garotas sequestradas pelo Boko Haram?

Por Diogo Bercito

Há dois anos, a internet delirava em torno do hashtag #BringBackOurGirls. Traga de volta nossas meninas. A campanha, que contava com a participação da primeira-dama Michelle Obama, pedia o retorno das 276  garotas sequestradas na Nigéria pela organização terrorista Boko Haram.

Do total de meninas tomadas pelos militantes, 219 permanecem desaparecidas –mas a campanha também sumiu. As garotas e o próprio Boko Haram só voltaram recentemente ao debate público porque foi divulgado um vídeo pela rede de televisão CNN com algumas das vítimas.

Imagem divulgada pelo Exército nigeriano em 2015 mostra grupo resgatado do Boko Haram. Crédito Exército da Nigéria/AFP
Imagem divulgada pelo Exército nigeriano em 2015 mostra grupo resgatado do Boko Haram. Crédito Exército da Nigéria/AFP

A história tem toques de crueldade. Mulheres têm sido usadas como mulheres-bomba pelo Boko Haram. Violentadas, diversas das garotas sequestradas tiveram filhos durante a catividade. Até este momento, não se sabe ao certo onde elas estão mantidas, e nem como a crise vai terminar.

Mas, antes de falarmos sobre o fim, este Mundialíssimo blog sabe que você tem dúvidas sobre esse drama. Por exemplo:

O que é o Boko Haram, mesmo?
É um grupo militante que tenta, há anos, criar um califado no norte da África, à imagem dos impérios medievais da região. É uma organização violenta que busca impôr sua visão radical a respeito do islã, como a Al Qaeda e o Estado Islâmico.

Como as mulheres sequestradas se tornam ferramentas do grupo?
O jornal americano “New York Times” publicou uma reportagem sobre esse processo. Segundo o “The Long War Journal”, que monitora a atividade terrorista, o Boko Haram já usou pelo menos 105 meninas e mulheres em ataques desde junho de 2014. Em termos estratégicos, a organização terrorista conta com o fato de que as forças de segurança na região não podem passar a abrir fogo contra qualquer mulher que se aproxime. “O Boko Haram sabe que temos um calcanhar de Aquiles”, afirmou um membro do governo do Camarões.

Eu li direito? Crianças são usadas em ataques sucicidas?
Sim, infelizmente você leu direitinho. O número de crianças que desencadearam ataques suicidas pelo Boko Haram subiu de 4 em 2014 para 44 no ano passado segundo informou o Unicef (braço da ONU para atenção às crianças). Incluindo uma criança de oito anos de idade.

Rahila Amos, que foi sequestrada pelo Boko Haram e forçada a ter aulas de como realizar atentados. Crédito Tyler Hicks/The New York Times
Rahila Amos, que foi sequestrada pelo Boko Haram e forçada a ter aulas de como realizar atentados. Crédito Tyler Hicks/The New York Times

Mas onde estão as meninas que foram sequestradas?
Segundo o jornal americano “Washington Post”, possivelmente em uma parte remota da floresta de Sambisa, no nordeste da Nigéria, onde são vigiadas por militantes da organização terrorista. Essa região, segundo o diário, é um desafio tático: densa, remota e vasta.

Qual é a solução para essa crise?
Dificilmente apenas a via militar, como argumenta um editorial recente publicado pela Folha. “O Boko Haram age no isolado nordeste da Nigéria, região de maioria muçulmana onde mais de 70% da população vive na pobreza. A extrema miséria e a falta de perspectiva facilitam o recrutamento da milícia radical”, diz o texto. “A reconstrução da região e o seu posterior desenvolvimento são tarefas que o novo governo nigeriano não pode negligenciar se quiser acabar com a infâmia terrorista.”