Os EUA viveram mais de 130 sequestros de avião entre 1968 e 1972. O que deu fim à prática?

Por Diogo Bercito

O sequestro do avião da EgyptAir na terça-feira (29), desviado até o Chipre por uma ameaça de bomba, foi acompanhado durante o dia com apreensão. Havia temor de um novo atentado terrorista na região, depois que um avião explodiu na península do Sinai em outubro do ano passado, deixando 224 mortos.

Mas, há algumas décadas, o sequestro de aeronaves não era um incidente incomum, nem tão dramático quanto hoje. Entre 1968 e 1972, mais de 130 aviões foram tomados nos Estados Unidos, segundo o livro “The Skies Belong to Us” (os céus nos pertencem, em inglês).

Um homem não identificado deixa o avião MS181, que foi sequestrado nesta terça-feira (29). Crédito Petros Karadjias-29.mar.16/Associated Press
Um homem deixa o avião MS181,  sequestrado na terça-feira (29). Crédito Petros Karadjias/AP

Tanto o jornal americano “Washington Post” quanto o site Vox lembraram-se dessa que é conhecida como a “era de ouro do sequestro de aviões –um período durante o qual havia, por vezes, mais de uma tomada de avião por dia.

Quatro pontos para a reflexão:

HOUVE UMA ERA DE SEQUESTROS PARA IR A CUBA
De acordo com o autor do livro “The Skies Belong to Us”, a primeira era dos sequestros aéreos –entre 1961 e 1969– era motivada por pessoas que queriam ir a Cuba. Entre blecautes informativos, a vida na ilha era idealizada como um paraíso socialista, ele disse ao Vox. “Havia esse tipo de sequestro ‘me leve para Cuba’ que era muito, muito frequente”.

SEQUESTRADORES PERCEBERAM QUE HAVIA OUTROS DESTINOS
A segunda era foi quando os sequestradores perceberam que podiam desviar os aviões para qualquer outro lugar. Por exemplo, Raffaele Minichiell pediu que uma aeronave viajasse à Itália. Houve outros sequestros rumo a Argentina, à Coreia do Norte e à Argélia. Então, nos anos 1970, sequestradores se deram conta de que podiam pedir outra coisa: dinheiro. Às vezes, mesmo em barras de ouro.

AS AUTORIDADES BUSCARAM SAÍDAS ESTAPAFÚRDIAS
Houve relutância em estabelecer medidas de segurança, porque havia receio de que estratégias como detectores de metais pudessem afugentar os clientes das companhias aéreas. Nesse período, as autoridades americanas pensaram em uma série de saídas, que incluíram construir um aeroporto falso simulando o de Havana para enganar os sequestradores. Outra ideia era obrigar passageiros a usar luvas de boxe para que não pudessem, assim, segurar uma arma.

A HISTÓRIA MUDOU EM 1972, COM UM SEQUESTRO PROBLEMÁTICO
Segundo “The Skies Belong to Us”, o ponto de inflexão foi o sequestro do voo 49 da Southern Airlines em 1972. Três homens ameaçaram lançar o avião em um reator nuclear. As autoridades americanas se deram conta do risco do sequestro de aeronaves e, em 1973, passaram a exigir a revista dos passageiros, incluindo detectores de metais. Na época, a imprensa acompanhou as primeiras medidas de segurança como uma novidade assombrosa.