Por que o preço do petróleo está tão baixo? E… Posso comprar um barril?

Por Diogo Bercito

Em 2014, um barril de petróleo custava em torno de US$ 100. Hoje, está oscilando perto dos US$ 35. Ou seja, custa o mesmo que uma sacola com desenhos do Romero Britto. Para você que sempre sonhou em comprar esse líquido negro para algum fim escuso, a notícia pode ser boa. Para os tantos países —como a Arábia Saudita— que dependem da exportação de petróleo, é um desastre econômico.

Mas, antes que você vá ao site da Amazon procurar por seu próprio barril, que tal respondermos a algumas perguntas sobre este tema viscoso?

Por que está tão barato?
É uma complicada questão de economia. Mas, segundo o jornal americano “New York Times”, pode ser resumida ao bom e velho conceito de oferta e demanda. Com o aumento da produção americana de petróleo, o país depende menos do que antes importava da Arábia Saudita –que agora precisa competir em novos mercados, como o chinês, a preços mais baixos. Além disso, a produção de petróleo no Iraque e no Canadá tem aumentado, inundando o mercado.

Preço do barril de petróleo, brent, nos últimos dois anos. Crédito Nasdaq/Reprodução
Preço do barril de petróleo, brent, nos últimos dois anos. Crédito Nasdaq/Reprodução

Mas gente, não é só diminuir a oferta?
Um dos problemas é que a Opep –um cartel que representa gigantes do petróleo– se recusa em diminuir a produção. Em 2014, quando se cogitava que essa fosse uma solução à crise, esses países decidiram não cortar a produção. Há temor de que, com a subida dos preços, países como a Arábia Saudita percam espaço no mercado e beneficiem assim seus competidores. Outra questão em jogo é que a produção em países como o EUA é de outro tipo de petróleo, chamado xisto, mais caro de se extrair, o que na comparação favorece o Oriente Médio.

É uma conspiração, né? Vi no Facebook…
Há quem diga que sim. Afinal, os preços baixos prejudicam países como o Irã, que dependem do petróleo. Também afetam a Arábia Saudita, é claro, mas a monarquia poderia estar apostando que aguenta o tranco por mais tempo do que seus rivais. Outra teoria corrente é de que os preços baixos afetam a organização terrorista Estado Islâmico, que depende do petróleo para manter seu território.

Quem se beneficia?
Consumidores em países importadores, por exemplo. O preço da gasolina tem baixado em diversas partes do mundo, como nos EUA e em partes da Europa, e também os custos do gás natural. Nos EUA, um lar economizou em média US$ 700 em gasolina em 2015, em comparação com 2014.

Quem se prejudica?
Putz, bastante gente. Os perdedores óbvios são os países que lucram com a exportação de petróleo, como Rússia, Venezuela, Irã, Nigéria –e, sim, Brasil. Além disso, nações como o Egito passam por aperto por tabela, já que o investimento de países do Golfo pode secar por ali. Empresas como Chevron e Royal Dutch Shell também estão passando por poucas e boas, durante essa crise.

Posso comprar um barril?
Não, não e não. E não, você não foi a primeira pessoa a pensar nisto. A Bloomberg publicou em novembro uma interessante reportagem sobre alguém que pensou na mesma coisa –mas concluiu que a ideia era bem fraca. Em primeiro lugar, porque é complicadíssimo e perigoso estocar um barril de petróleo em casa. Em segundo, porque cheira mal e é bem tóxico. Por fim, porque provavelmente você não sabe como refinar petróleo e, assim, o barril não vai servir para nada.