Não há mais ebola na Guiné. O que isso significa?

Por Diogo Bercito

A Organização Mundial da Saúde declarou nesta terça-feira (29) que a Guiné está livre do ebola, após a morte de mais de 2.500 pessoas contaminadas pelo vírus nesse país africano. A epidemia começou há dois anos exatamente na Guiné, o que faz dessa declaração uma excelente maneira de encerrar um ano que transbordou más notícias.

Mas, para que não sejamos otimistas ou pessimistas para além da conta, convém respondermos aqui algumas perguntas:

Ai, tenho vergonha de perguntar, mas o que é ebola?
É uma doença causada por um vírus. A taxa de mortalidade pode chegar a 90%, por isso a gravidade da epidemia. O Mundialíssimo escreveu sobre isso no ano passado, se quiser reler e se lembrar dos detalhes técnicos.

Como sabemos que um país está livre do ebola?
Já faz 42 dias desde que não encontram o vírus no sangue da última pessoa infectada, após dois testes consecutivos. Em termos médicos, isso significa que o país está tecnicamente livre da doença.

Mas para sempre?
Não. A Libéria, por exemplo, já foi declarada zona livre do vírus do ebola duas vezes –apenas para, mais tarde, registrar novos casos. Ou seja, a notícia é excelente, mas ainda é necessário monitorar de perto a situação e, no meio tempo, aprimorar os serviços de saúde do país para lidar melhor com uma possível nova epidemia.

Então é isso? #zerou ebola no mundo inteiro?
Não. A declaração diz respeito apenas à Guiné. Serra Leoa também foi declarada livre da doença, em novembro, mas a Libéria ainda está sob observação. Se não aparecer mais nenhum caso até 14 de janeiro, a Libéria também será oficialmente um país sem ebola.

Qual foi o efeito da doença no mundo?
Se contarmos apenas a Guiné, além dos mortos, há 6.200 órfãos. O sistema de saúde foi sobrecarregado e precisa ser replanejado. Dos 28.600 casos de ebola no mundo, morreram 11.300 pessoas. Quase todos os casos e mortes ocorreram em três países: Guiné, Libéria e Serra Leoa.

Onde mais houve casos?
Houve casos isolados em países como Senegal, Espanha e EUA. Na Espanha, por exemplo, uma enfermeira contraiu a doença enquanto cuidava de um paciente. A história foi um escândalo na saúde pública local, enquanto se buscava entender como ocorreu o contágio. Seu cachorro, chamado Excalibur, foi morto pelas autoridades para evitar o risco de epidemia –levando ao furor das organizações de defesa dos direitos animais.

Queria entender melhor essa história, mas a partir dos relatos de quem foi infectado. Pode ser?
Tudo bem. Veja só –o site Vox compilou uma série de relatos orais relacionados ao ebola. A ideia do projeto era entender não apenas a doença, mas o que ela significa para as pessoas afetadas por ela. O conteúdo está em inglês.