Que países devem mais dinheiro em relação ao próprio PIB?

Por Diogo Bercito

Descobri hoje o site HowMuch.net, que representa diversas questões de economia em mapas criativos. Por exemplo, nesta quarta-feira os autores da página publicaram um mapa em três dimensões sobre onde está o dinheiro nos EUA.

Enquanto os mapas que este Mundialíssimo blog publicou na semana passada foram desenhados para persuadir os leitores, as representações do HowMuch.net tentam evidenciar alguns fatos sobre a economia mundial. Por exemplo, que países recebem auxílio dos EUA ou em que nações as pessoas mais ricas herdaram suas fortunas.

Chama a atenção, em especial, o mapa publicado no início deste post representando os países de acordo com suas dívidas. Em especial porque as nações têm o tamanho deformado de acordo com a relação entre a dívida e o PIB (Produto Interno Bruto, a soma das riquezas produzidas no país).

Assim, o Japão é o maior país (230%), seguido de Grécia (177%), Líbano (134%) e Jamaica (133%). Os menores são Arábia Saudita (1,6%), Nigéria (10,5%), Emirados Árabes Unidos (16,70%) e Rússia (17,92%).

O próprio site explica a metodologia:

Uma das maneiras de comparar níveis de dívida entre países é a proporção de débito por PIB: a proporção da dívida total em relação ao seu PIB, onde a dívida é medida em dólares e o PIB é medido no valor de bens e serviços produzidos em um ano (dinheiro/ano). Assim, quanto maior a relação, mais tempo vai demorar para um país pagar sua dívida. Por exemplo, um país com proporção de 100% pode teoricamente pagar sua dívida em um ano; mas, realisticamente, países só destinam entre 5% e 10% de seus PIBs para o pagamento de dívidas.

Há diversas questões a debater nessa representação. O site Vox.com aponta, aliás, que faltou considerar um fato importante: países com os EUA e o Japão estão endividados em suas próprias moedas, o que não é equivalente a dever em moeda estrangeira. Além disso, países na União Europeia pagam a dívida na própria moeda, mas não têm autonomia para emiti-la. São tons de cinza que fogem ao mapa.

De toda maneira, fica por aqui a sugestão do site como mais um recurso –como todos, a ser usado criticamente– para entender melhor o noticiário internacional (alguém se lembra que a Grécia está tão endividada que vive perigando de sair da zona do euro?). Aos leitores que conheçam outras ferramentas na internet, um convite: divulguem suas ideias por aqui, nos comentários deste post.