O que o atentado em Charleston diz sobre o racismo nos EUA?

Por Diogo Bercito
Marcha "Black Lives Matter" em 20.jun2015. Crédito  Carlo Allegri/Reuters
Marcha “Black Lives Matter”. Crédito Carlo Allegri – 20.jun.2015/Reuters

Há uma semana, em 17 de junho, o terrorista Dylann Storm Roof, 21, invadiu uma igreja histórica da comunidade negra em Charleston, na Carolina do Sul (EUA), e matou nove pessoas. Ele foi preso no dia seguinte. O ataque, segundo as informações disponíveis até agora, foi motivado pelo fato de que as vítimas eram negras.

Epa. Mas ainda existe racismo nos EUA?
Sim. O presidente Barack Obama discutiu essa questão em uma entrevista na segunda-feira (22), afirmando que “não estamos curados dela”. “Não é só uma questão de ser educado e não dizer a palavra ‘nigger’ em público. Essa não é a medida de se o racismo ainda existe. As sociedades não apagam completamente, de uma noite para a outra, tudo o que aconteceu 200 ou 300 anos antes.”

Qual é a medida, então?
A organização Race Forward publicou uma série de vídeos em que explica como funciona o racismo, na prática. Por exemplo, nas imagens abaixo, o apresentador exemplifica essa questão a partir de alguns números: brancos e negros têm a mesma chance de fumar maconha, mas os negros tem quase quatro vezes mais chances de serem presos por isso. É possível ativar legendas no vídeo clicando no ícone de roda dentada, no canto inferior direito.

Você pode me dar outro exemplo do impacto do racismo nos EUA?
Sim. A editoria da Arte da Folha produziu, com base em informações da agência de notícias AFP e do FBI, o gráfico abaixo para ilustrar essa resposta. Os crimes cometidos por ódio — como o atentado à igreja de Charleston, na semana passada — têm por principal razão a raça das vítimas. Na maior parte dos casos, os alvos são negros.

Por que você está usando as palavras “atentado” e “terrorismo”? O atirador não era muçulmano!
O atentado à igreja de Charleston trouxe a discussão, na semana passada, sobre se esse ataque constitui ou não terrorismo. “Para Fredrick Harris, diretor do centro de estudos sobre política e sociedade afro-americana da Universidade Columbia, a chacina é, sem dúvida, um ato terrorista”, escreve Giuliana Vallone, correspondente da Folha em Nova York.

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Eu queria ler mais alguma coisa sobre essa questão…
Ótimo. Raul Juste Lores, correspondente da Folha em Washington, escreveu uma interessante reportagem sobre a história de Charleston, que ainda carrega marcas da escravidão. Se você tem um pouco mais de tempo livre, deveria ler este texto publicado pela revista “Atlantic” sobre a Guerra Civil americana. Uma última sugestão: este texto do jornal “New York Times” sobre a “supremacia branca”.