O que ler sobre EUA <3 Cuba?

Por Diogo Bercito

Se você não estava dançando “Guantanamera” ontem com o volume no máximo, deve ter ouvido o avanço histórico: os EUA anunciaram a retomada das relações com Cuba, após cinco décadas de isolamento. Raul Juste Lores, correspondente da Folha em Washington, fez a cobertura da notícia.

Você talvez ainda queira entender, para além do fato, os processos que motivaram essa reaproximação. Por isso, o Mundialíssimo blog reúne nesta quinta-feira (18) um guia de leituras para você seguir enquanto finge que presta atenção na aula, olhando para o celular, ou faz cara de quem está trabalhando, diante do computador da firma. Simbora!

Por que é um momento histórico?
Vai depender do ponto de vista. No do escritor Fernando Morais, é uma revolução e marca o fim da Guerra Fria. Morais, 68, é autor dos livros “A Ilha” e “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”, sobre o país ao qual diz viajar em todos os anos –por vezes, em mais de uma visita anual. Mas, para Rick Gladstone, no “New York Times”, a Coreia do Norte ainda é um vestígio da Guerra Fria.

Que lindo. Posso ler o discurso de Barack Obama, presidente dos EUA?
É claro. A íntegra da fala de Obama está disponível na internet. Um dos trechos mais marcantes, e que por isso tem aliás sido citado em todo o mundo desde então, é o seguinte: “Estes 50 anos mostraram que o isolamento não funcionou. É hora de adotar uma abordagem nova”.

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Como Obama conseguiu fazer essa mudança?
Com um drible, escreve Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha. “O democrata Obama usou ordens executivas (o equivalente a decreto, no Brasil), que independem de aprovação no Congresso, e outros recursos legais parecidos para fazer valer as novidades desta quarta-feira.”

Por que agora?
Do lado cubano, a “revolução” citada por Fernando Morais ocorre justamente em tempos de baixo crescimento econômico, sugere o repórter Fabiano Maisonnave. O país vinha com expansão média de 2,7% mas deve crescer apenas 1,3%, em 2014.

O que o Brasil ganha com isso?
A BBC publicou uma análise de Luis Guilherme Barrucho e Ruth Costas sobre a oportunidade brasileira nesse momento histórico. Os autores discutem as prováveis vantagens diplomáticas, já que o Brasil pressionava pelo fim do isolamento cubano, e também os possíveis benefícios econômicos. Sobre o dinheiro, a colunista Patricia Campos Mello escreveu um interessante texto sobre como o Brasil marcou um gol ao investir no porto de Mariel, em Cuba.

Como foi a recepção da notícia no exterior?
Com raros elogios do presidente venezuelano, por exemplo. Samy Adghirni, correspondente da Folha em Caracas, escreve sobre a afirmação de Nicolás maduro de que o gesto de Obama é “valente”. A China também celebrou o acontecimento, mas pediu o fim do embargo econômico. O site Vox tem uma lista de 7 motivos pelos quais o embargo tem de acabar.

E em Cuba?
Nesse sentido, sugiro o texto publicado na Folha pelo escritor cubano Leonardo Padura. “É preciso agradecer não só ao papa Francisco, como fizeram Raúl Castro e Obama: seria preciso ir mais acima e agradecer a Deus, porque em circunstâncias assim não me resta outra opção senão acreditar em sua existência.” Ainda sobre o papa –o jornal britânico “Guardian” diz que a notícia é um dos maiores sucessos diplomáticos do Vaticano em décadas.