Por que a queda do rublo preocupa?

Por Diogo Bercito
Anúncio de cotação do rublo, na Rússia. Crédito Alexander Zemlianichenko/Associated Press
Anúncio de cotação do rublo, na Rússia. Crédito Alexander Zemlianichenko/Associated Press

Segurem na mão do Mundialíssimo blog, porque a moeda russa vem logo atrás deslizando ladeira abaixo. Como relata uma reportagem do “New York Times” nesta terça-feira, casas de câmbio piscam ininterruptamente as novas cotações do rublo, enquanto russos correm a lojas para comprar máquinas de lavar e televisões. A moeda havia aberto em 64 rublos o dólar. Enquanto eu escrevia este texto, já estava abaixo de 80 –não tomem o número como referência, porque já terá mudado quando vocês lerem.

A Rússia, informa o NYT, é vítima de sanções ocidentais e do baixo preço do petróleo e deve entrar em recessão no ano que vem. O governo não tem reservas o suficiente para reverter o caos econômico, e mercados globais se dão conta de que a crise pode contaminar o sistema em breve.

O “Boston Herald” afirma em um texto que a queda –descrita por Timothy Ash como “a desvalorização de moeda mais incrível que vi em 17 anos no mercado”— ocorreu mesmo após o governo aumentar a taxa básica de juros na véspera (de 10,5% a 17%), como medida emergencial. A administração russa pedia à população que não entrasse em pânico, mas a sugestão talvez fosse difícil de seguir.

A editoria de “Mercado” da Folha está acompanhando o assunto. Por exemplo, clique aqui para tirar as suas dúvidas sobre um rublo despencante. A movimentação do mercado financeiro é comentada ao vivo também. Há, por fim, uma reportagem relacionando a crise à cotação do dólar em reais.

O que você tem a ver com isso? Como de costume, de bastantes maneiras. O “Washington Post” reuniu uma lista de cinco delas. Compilei as três principais abaixo, mas recomendo a leitura do texto original, para além dos outros links citados durante este post. A ver:

AMEAÇA À ECONOMIA MUNDIAL
O problema é, por ora, interno. Mas uma quebra em 1998, que disparou uma crise financeira em mercados emergentes, serve de aviso: em uma economia globalizada, o que está dentro pode vazar. Com um rublo fraco, por exemplo, empresário russos podem ter dificuldades para pagar empréstimos tomados em dólar ou euro, como afirma o “Washington Post”.

MURRO EM PUTIN DE FACA
Vladimir Putin, o presidente russo, não deve ser defenestrado devido a essa crise –a população ainda se lembra dos dias derradeiros de União Soviética, quando as dificuldades eram mais agudas. Mas tampouco a queda do rublo vai lhe fazer carinho. “Ele pode ter de retrair suas ambições na Ucrânia“, escreve Michael Birnbaum, “e tem menos dinheiro vindo do petróleo”.

SECA NA RENDA DO PETRÓLEO
Como escreve o “Washington Post”, dinheiro economizado em petróleo é grana que não vai ao bolso russo. O que é bastante grave, se nos lembrarmos que o preço do petróleo caiu em quase metade no segundo semestre deste ano, e os países envolvidos –como a Arábia Saudita– não parecem interessados em diminuir a produção. Com o petróleo, cai o rublo, o Orçamento e a margem de manobra de Putin.