O que está acontecendo no Canadá?

Por Diogo Bercito

De repente, o Canadá. O país não estava nas manchetes há uma semana e talvez não esteja daqui a alguns dias. Mas, hoje, precisamos saber que dois incidentes –a princípio, isolados– colocaram Ottawa e a comunidade internacional em alerta. Vamos tentar entender o por quê.

O que aconteceu?
Um atirador matou um soldado no Memorial Nacional de Guerra em Ottawa, capital do Canadá. Em seguida, ele se dirigiu ao Parlamento, onde ao menos 30 disparos foram ouvidos antes que o invasor fosse morto pelo chefe da segurança do local. O esquema abaixo explica melhor essa linha de tempo.

O que isso quer dizer, para além do fato de que um soldado morreu no Canadá?
Pode não querer dizer nada. Mas a morte desse soldado, chamado Nathan Cirillo, ocorreu apenas dois dias depois de outro militar ser morto no país –atropelado na segunda-feira (21) no Québec (clique aqui para ler). O governo canadense havia elevado, na terça-feira (22), o nível de ameaça terrorista no país.

Quem foram os responsáveis pelas mortes?
O atirador de Ottawa se chamava Michael Zehaf-Bibeau, 32. Ele foi morto durante o atentado. Segundo relatos, ele havia se convertido ao islã e, recentemente, tinha sido considerado como um viajante de risco, o que levou o governo canadense a reter seu passaporte pelo temor de que viajasse à Síria para unir-se ao Estado Islâmico. O jornal espanhol “El País” publicou um perfil dele (clique aqui). O atropelador de segunda-feira é Martin Roleau-Couture, 25, que o “El País” também perfilou (clique aqui) –igualmente convertido ao islã, segundo o jornal espanhol.

O que dizem as testemunhas?
Infelizmente, eu não pude ouvir nenhuma delas, já que estou do outro lado do oceano. Mas o “New York Times” fez um ótimo trabalho de vídeo reunindo imagens da ação de segurança e entrevistas com testemunhas do atentado. Assistam abaixo.

Por que o Canadá?
A resposta a esse tipo de pergunta pode fazer parecer que um país “merece” ou “fez alguma coisa” para ser alvo de um atentado. É em linhas gerais a retórica contrária ao governo espanhol depois do atentado ao trem de Madri, em 2004, depois de a Espanha unir-se às ações contra o Iraque. Enquanto não tivermos mais informações sobre os autores dos ataques, será difícil entender as motivações, mas por enquanto os dois eventos canadenses têm sido ligados à participação desse país na coalizão que ataca militantes do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

Muçulmanos são todos terroristas, né?
Não. Não existe isso de “todos os membros de tal grupo são terroristas”. Há extremistas cristãos e judeus, e também seculares e budistas e o que mais for. O islã não é uma religião “naturalmente violenta”, como dizem seus detratores, e a grande maioria de seus seguidores acredita na paz.