Por que Malala venceu o Nobel da Paz?

Por Diogo Bercito

Todo o mundo comentando nas redes sociais o anúncio feito hoje de que Malala, 17, venceu o Nobel da Paz  (clique aqui para ler). Você até curtiu alguns posts no Facebook, mesmo que por dentro talvez estivesse se perguntando — mas quem é essa menina? Não se acanhe: aqui no Mundialíssimo nenhuma pergunta é óbvia.

Tá. Então quem é Malala?
Que pergunta óbvia! OK, brincadeira. Malala Yousafzay é uma garota paquistanesa que, aos 15 anos, tornou-se um símbolo de força ao sobreviver a uma tentativa de assassinato. Ela vinha defendendo, desde adolescente, os direitos das meninas de seu país a irem à escola. Militantes do Talebã entraram em seu ônibus escolar e atiraram em sua cabeça, em 2012.

O que isso significa?
Malala é hoje um símbolo da luta pelo acesso à educação. Ela discursou na ONU sobre o tema e tem também um fundo para contribuir com o ensino a garotas ao redor do mundo (clique aqui).

Mas tudo isso porque ela sobreviveu a um ataque?
Não é exatamente isso. O prêmio, é claro, tem função simbólica. Mas Amanda Taub faz uma interessante consideração em um texto publicado pelo Vox (clique aqui para ler): Malala representa a resistência civil diante de grupos armados que tentam controlar as suas vidas. Ou seja, a luta da garota não é uma questão paquistanesa –e não é necessário ir longe para notar que é uma causa comum à crise síria, em que o Estado Islâmico impõe uma visão radical do islã na população.

Ela é uma heroína, então? Idolatrada no Paquistão etc.?
Não segundo uma reportagem do “New York Times” (clique aqui para ler). Ao que parece, no Paquistão há também quem veja a figura da garota com suspeita, sugerindo que sua história seja manipulada pelo Ocidente para denegrir a imagem do país. O texto do jornal americano ouve quem diga, também, que o pai de Malala usa a menina para criticar a cultura pashtun.

Como anda a vida dela, desde que foi baleada?
Uma outra sugestão de leitura é o interessante texto do repórter da Folha Leandro Colon, correspondente em Londres (clique aqui para ler). Colon nota que não há nada de amador ao redor da garota, envolvida em uma teia de assessores e consultores de primeiro escalão.

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